O que cresce enquanto ficamos
Confesso que sempre soube distinguir o desejo de mudar da impaciência com o tempo que as coisas demoram. Há momentos em que a mudança é necessária. Outros em que me pergunto se não estarei apenas a procurar um começo novo, um lugar onde ainda não tenha encontrado as minhas dificuldades. Começar tem essa vantagem: durante algum tempo, tudo é possível. Ainda não falhámos, ainda não nos cansámos, ainda não descobrimos a distância entre aquilo que imaginávamos e aquilo que somos capazes de fazer. Permanecer, por seu turno, exige outra disponibilidade. Penso em quem aprende um instrumento musical durante anos, sem a ambição de vir a tocar diante de uma plateia. Em quem continua a escrever, mesmo quando o que escreve fica aquém do que queria dizer. Em quem regressa a uma tarefa depois de um dia em que nada pareceu avançar. Visto de fora, há pouco para contar. Mais uma aula. Mais uma página. Outra tentativa. Talvez seja isso que torna a permanência tão difícil de reconhecer como uma forma de ...








